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FOTO: fotospublicas.com /Tania Rego Agencia Brasil

Uruguai se dispõe a ajudar na reconstrução do Museu Nacional do Rio

Informações compartilhadas Agência Brasil EBC

O diretor nacional de Cultura do Uruguai, Sergio Mautone, e o coordenador de Museus do país, Javier Royer, expressaram profundo pesar pelo incêndio que destruiu o acervo do Museu Nacional no Rio de Janeiro no último domingo (2).

Em carta enviada às autoridades brasileiras, eles destacam que o incêndio arrasou "coleções de imensurável valor patrimonial e um edifício, que foi testemunha e protagonista na história do Brasil e da região, que tinha 200 anos de história material da instituição e milhões de anos de história universal".

No texto, afirmam que, em nome do governo uruguaio e todos os museus do país, enviam aos trabalhadores dos museus brasileiros um "fraterno e solidário abraço" e se colocam à disposição para "colaborar no que considerarem oportuno".

A carta foi direcionada ao reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher; ao diretor do Museu Nacional do Rio, Alexandre Kellner; e ao presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Marcelo Araújo.

Proteção

Para a paleontóloga uruguaia Graciela Piñeiro, a tragédia no Museu Nacional do Rio de Janeiro poderia ter sido evitada. "Uma notícia tão triste, que entristeceu a mim e a todos os colegas, não apenas paleontólogos, mas também biólogos, geólogos, todos os cientistas. As perdas de tanto patrimônio que, além de tudo, podiam ter sido evitadas. Sinto impotência diante dessas notícias, porque os patrimônios não estão guardados para mim ou você, são para as gerações futuras e isso nos indigna."

Ela disse que o mais importante neste momento é que os cientistas se unam e cobrem dos governos nacionais a proteção do patrimônio. "Não devemos perder tempo e sim avançar na proteção do nosso patrimônio. Haverá gerações futuras que estarão interessadas nessa riqueza e devemos exigir das autoridades cuidado e atenção."

Graciela, que é professora do Departamento de Paleontologia da Universidade da República do Uruguai, acredita que os povos antigos da América do Sul cuidavam muito melhor de suas riquezas e patrimônios do que hoje em dia. Para a paleontóloga, as notícias sobre o descobrimento de material histórico e/ou cultural ou sobre o patrimônio uruguaio são escassas e pouco difundidas.

"Atualmente é difícil encontrar em países sul-americanos interesse nessa riqueza patrimonial, cultural. A minha experiência no Uruguai, quando eu saio para dar palestras para crianças ou idosos, por exemplo, é excelente. Todos ficam maravilhados ao saber de tudo o que o Uruguai tem de legado patrimonial, paleontológico. Mas ninguém sabe, não se difunde isso", afirma.

Por Marieta Cazarré - Repórter da Agência Brasil

Edição: Juliana Andrade

FONTE: Agência Brasil
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